quarta-feira, maio 26, 2010

Algorítimo para escolha do vinho cotidiano

É muito comum a associação entre vinho para o dia a dia e o vinho de menor qualidade: isso é um grande erro. Gostar de vinho ruim é uma praga que não se deve rogar nem ao pior inimigo. Para ser cotidiano o vinho deve ser de boa qualidade, agradar aos vários paladares, ser pouco enjoativo e, sobretudo, barato. Existem critérios a serem observados.

O bom vinho cotidiano é um vinho raro. É um grande desafio encontrar um vinho que alie qualidade e excelente preço. Por isso não abundam bons vinhos cotidianos, ao contrário do que se pensa. Abundam as "dicas" de vinhos para o cotidiano, pois os produtores e vendedores precisam indicar seus "carros chefes" para "dar volume" nas vendas.

O Algorítimo para escolha um bom vinho cotidiano de obedecer algumas instruções:

1. encontrar preço baixo;
2. achar vinho com qualidade acima da sua faixa de preços;
3. acompanhar a constância da oferta e do baixo preço;
4. observar se o vinho não é enjoativo;
5. observar se agrada diversos paladares;
6. ter disponibilidade perto de casa;
7. encontrar em promoções;

Veja bem são instruções de difícil execução, até para os melhores dróides.

O preço baixo e a constância da oferta por preço baixo já elimina muitos concorrentes. Encontra-se vinhos de qualidade por bom preço nas promoções, o que não faz destes vinhos bons vinhos cotidianos, pois quando saem da promoção voltam a ter a qualidade da sua faixa de preços.

Ter qualidade acima da sua faixa de preços já elimina quase todos os concorrentes, pois se todos tivessem qualidade acima da média, não sobraria ninguém para compor a camada média.

Não ser enjoativo faz parte da qualidade, mas isso se faz sentir ao longo das semanas e dos meses, é uma regra que retroalimenta o sistema e fornece um feedback ao algorítimo. Afora os masoquistas, ninguém consegue manter o hábito de tomar um vinho enjoativo.

Já agradar a diversos paladares é quase impossível, pois o vinho "docinho" é a sinuca de bico da enotopia. O vinho mais doce costuma ser mais enjoativo. Para quem só gosta de vinhos adocicados a 5ª regra entrará em contradição com a 4ª regra, o algorítimo entrará em looping e o vinho não será encontrado, gerando frustração e uma eventual mudança de gosto.

A sexta regra é fundamental, pois se você encontrar um ótimo vinho para o cotidiano, mas que só se encontra no Quirguistão, seu achado não valerá meia pataca furada. Uma boa medida é assim: se você conseguir sair de casa no sabadão e voltar pra casa com o vinho debaixo do braço em menos de 45 minutos, passou no teste da regra 6.

A sétima regra é a aplicação de uma vigília constante, pois um vinho bom e barato pode entrar em promoção a qualquer momento, o que o torna imperdível.

Depois de toda essa lorota, finalmente vamos dizer quais são os nossos vinhos cotidianos:

• Espumantes Brasileiros
• Brancos Portugueses - principalmente os Vinhos Verdes
• Tintos Italianos - principalmente Valpolicella e Bardolino

Vinhos encontrados em lojas e supermercados, todos abaixo de R$ 25 e com alguma sorte abaixo de R$ 20.

2 comentários:

Dom José disse...

Pra mim esse vinho é o Benjamin Nieto Senetiner Malbec. R$ 14,00.

Anônimo disse...

Concordo plenamente. Fui supreendida com este vinho...