sexta-feira, abril 30, 2010

Expovinis - Consumidor também é gente

Tudo bem, ok, já entendemos que a Expovinis não é para o público em geral, mas sim para os profissionais e negociantes da área. Mas caso os organizadores do evento pensem em agradar um pouco os consumidores, aqui vão algumas críticas e "oportunidades de melhoria" - como está na moda dizer.

Não parece óbvio, mas é bom lembrar que sem consumidores não adianta produzir nem vender vinho. Noite do último dia, clima de fim de feira rolando... só faltou alguém pra varrer nossos pés. Só as 19hs, as porteiras foram abertas para a horda dos mortais, que já encontravam alguns estandes desmontando e encaixotando os vinhos que "sobraram". Nos sentimos lesados de pagar a mesma quantia do dia anterior e encontrar o fim da feira.

Os franceses de Bourgogne já tinham picado a mula, todos eles. Os franceses que restavam começaram a se arrumar para ir embora assim que a horda foi liberada para entrar. Sem querer generalizar, mas já generalizando, os franceses recebem muito pior do que os outros. Não foram poucas vezes que paramos na frente dos estandes e fomos solenemente ignorados, mas com o jeitinho brasileiro as vezes conseguíamos ser atendidos: era só falar em inglês. Que pena, temos tanto orgulho de sermos vira-latas...

Os gregos também já tinham acabado a degustação, e os espanhóis estavam servindo seus vinhos com conta-gotas. Também não conseguimos achar uma alma viva em alguns estandes que não conseguimos visitar no dia anterior. Bronca na organização: não dá pra começar a desmontar a exposição no momento que a entrada para os consumidores é liberada.

Não foi cara a entrada, mas é super desagradável pagar e ser tratado como pedinte. Não sei por que mas preferimos ser respeitados e bem tratados. Na maioria dos casos fomos muito bem recebidos e atendidos, principalmente pelos brasileiros. No entanto era nítido que em alguns estandes o tratamento para os olímpicos era distinto.

E por alguma lógica incompreensível os expositores eram proibidos de vender seus vinhos aos consumidores. Diversas vinícolas não possuem representação no Brasil, e alguns vinhos que adoramos não pudemos levar para casa nem uma garrafa. Mas chega de desgraça, vamos falar de coisas boas...

Os portugueses e os bolivianos foram uma grata surpresa. Os portugueses foram os campeões de simpatia da exposição, e tinham vinhos maravilhosos. Ultimamente estávamos um pouco decepcionados com os patrícios, pois estão chegando muitos vinhos "parkerizados" no Brasil, principalmente do Douro. Mas nesta Expovinis eles recuperaram o prestígio conosco. Além do que, o papo com eles foram aulas estupendas.

Já os Bolivianos surpreenderam geral. Com alguns vinhos de alta qualidade, com aromas complexos e boa estrutura. E nenhum vinho ruim. Alguns vinhos de corte fantásticos, com potencial de guarda e alguns brancos muito perfumados e bem vinificados. Eram bastante atenciosos, simpáticos e estavam muito orgulhosos dos elogios que recebiam de diversas pessoas.

No final o balanço foi super positivo, participar da Expovinis é uma experiência que vale a pena e que enriquece bastante o conhecimento sobre o vinho. No entanto se tivéssemos vindo de Brasília para São Paulo somente para a Expovinis, acho que não teríamos ficados tão contentes, pois os detalhes desagradáveis teriam se sobressaído mais. Mas como estamos passando as férias por aqui, foi uma ótima experiência.

Agora alguns devem estar se perguntando: férias em São Paulo? Estes dois são loucos... Sim, somos loucos... e paulistas

3 comentários:

Hubert disse...

Oi
Sou francês. Lamento a atitude do meus compatriotos. Você não é o primeiro a falar assim dos franceses. É um povo "quem se acha"! Deveriam morar um poco não Brasil pra aprender a mudar.
Triste.

Edgard Piccino disse...

Querido Hubert,

O Bourgogne é nosso vinho preferido, e fomos a Expovinis com expectativa de provarmos vinhos que não chegam ao Brasil. Quando temos muita expectativa a frustração é maior.

Não queremos gerenalizar e adoramos a França e os franceses, apesar de não perdoarmos as últimas Copas do Mundo. Mas tudo bem, na Copa da África daremos o troco...

Anônimo disse...

Confrades,

Adorei esse artigo e irei recomendá-lo aos demais, eis que por ser diretor de uma associação de enófilos o tratamento que recebi foi outro, porém, como a minha opção sempre foi pelo altruísmo contra o individualismo, as suas observações tem que ser refletidas por quem de direito. Muitos me procuraram e fizeram colocações idênticas sobre alguns expositores do "Velho Mundo" cujos vinhos são muito comentados nessas bandas, talvez por isso, no meu íntimo seja novomundista...quanto aos lusitanos, de longe, foram os mais atenciosos, mas mesmo assim havia uma ou outra exceção para confirmar a regra.

Por fim, posso fazer um link pra cá?

Enoabraços

Jeriel - blog homônimo